Personal "pirata"? O único documento que prova que seu treinador não é um farsante
Imagine que entra num consultório médico e, antes de ser examinado, descobre que a pessoa de bata branca nunca pôs os pés numa faculdade de medicina. Assustador, certo? No mundo do fitness, infelizmente, isto acontece com mais frequência do que imaginamos.
O chamado "exercício ilegal da profissão" é um risco real para a sua saúde. Com a popularização das consultorias online e dos "influencers de treino", o mercado encheu-se de entusiastas que se passam por especialistas. Mas o novo Código de Ética Profissional (Resolução CONFEF nº 508/2023) é o seu melhor aliado para separar os profissionais sérios dos "piratas" do fitness.
O "RG do Profissional": A Cédula de Identidade Profissional (CIP)
Existe apenas uma forma incontestável de provar que alguém está habilitado a prescrever exercícios no Brasil: a Cédula de Identidade Profissional (CIP).
De acordo com o Artigo 4º do Código de Ética, o profissional tem o dever de "fazer constar o seu nome e número de registro no Sistema CONFEF/CREFS em toda a publicidade, digital ou não".
Este documento não é apenas um cartão plástico; é a garantia de que aquele indivíduo:
- Concluiu com sucesso a licenciatura ou bacharelado em Educação Física.
- Está sob a fiscalização de um conselho de classe.
- Comprometeu-se formalmente a seguir as normas éticas e científicas da profissão.
Por que treinar com um "farsante" é um risco para a sua vida?
Muitas vezes, o personal trainer pirata tem muitos seguidores e um corpo esculpido, o que cria uma falsa sensação de autoridade. No entanto, o Código de Ética estabelece no seu Artigo 3º que o foco do profissional deve ser a segurança e a integridade do beneficiário.
Alguém sem formação técnica e sem registo profissional:
- Não entende de fisiologia: Pode prescrever intensidades que o seu coração não suporta.
- Ignora a biomecânica: Pode causar lesões articulares irreversíveis ao ensinar técnicas de execução erradas.
- Não tem responsabilidade legal: Se algo acontecer consigo durante um treino com um leigo, você estará desamparado perante os órgãos de fiscalização profissional.
O que o Código de Ética diz sobre a facilitação
O profissional ético também tem deveres aqui. O Artigo 5º, inciso II, proíbe que um profissional registado "facilite, por qualquer meio, o exercício da profissão a pessoas não habilitadas". Isso significa que até mesmo academias que contratam "instrutores" sem registo estão a violar gravemente a ética da área.
Como identificar um personal pirata em 3 passos
Não precisa de ser um detetive para se proteger. O Sistema CONFEF/CREFS facilita esta verificação:
1. Peça a CIP (ou veja a Bio)
Um profissional orgulhoso da sua carreira terá o número do CREF visível no seu perfil de Instagram ou portará a sua carteira física. Se ele hesitar ou der desculpas como "o meu registo está a ser renovado há meses", desconfie.
2. Faça a consulta pública
Sabe aquele número de registo? Você pode inseri-lo no site do CONFEF ou do CREF da sua região. Se o nome não aparecer ou o registo constar como "cancelado" ou "suspenso", pare o treino imediatamente.
3. Analise o discurso
O Código de Ética exige que o profissional se mantenha atualizado (Art. 3º, III). O "pirata" geralmente baseia-se apenas na própria experiência ("eu fiz assim e deu certo"). O profissional ético baseia-se em evidências científicas e na sua individualidade.
Conclusão: O valor da sua saúde não tem desconto
Contratar um "pirata" pode parecer mais barato no curto prazo, mas o preço de uma lesão ou de um problema cardíaco por falta de orientação técnica é incalculável.
Ao exigir o número do CREF, você não está a ser chato; está a exercer o seu direito como consumidor e cidadão, garantido pelo Artigo 3º, inciso V, que assegura o seu direito a um serviço de excelência.
Não se deixe enganar por filtros de Instagram ou promessas milagrosas. No final do dia, a única coisa que garante que o seu treinador é um especialista e não um farsante é aquele número de registo.
Já verificou o registo do seu treinador hoje? Proteja-se e valorize quem estudou para cuidar do seu bem mais precioso: a sua saúde!
Este artigo foi escrito com base nas diretrizes da Resolução CONFEF nº 508/2023.